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Terra Blog

30.12.08

Deus em Questão - A Morte

categorias: , Literatura

 

A MORTE

Freud afirmava que “nosso inconsciente não acredita na sua própria morte; ele se comporta como se fosse imortal”. Um sinal disso é que o homem continua a fazer guerras cada vez mais freqüentes e sangrentas, pois embora haja evoluído, ele ainda mantém em estado reprimido “todos aqueles impulsos primitivos, selvagens, maus...” que o levam às guerras, sob pena de submeter-se ao risco da morte (o instinto básico agressivo não é suplantado pelo temor da mortalidade).
Freud não fazia tais afirmações filosoficamente, e sim de modo analítico, como resultado de suas atividades de pesquisa e de seus estudos. Contudo, talvez Lewis pudesse responder filosoficamente à questão, dizendo que o nosso inconsciente recuse a morte pelo fato de que ela não seja parte original do “Plano da Criação”...

Tememos a morte a partir do exato momento em que dela tomamos consciência; consciência esta que é inerente ao ser humano e que é exclusiva dele. Todavia, nosso inconsciente nega a morte, não a aceita, existe como se jamais precisasse se submeter a ela.

E por que é assim? Qual seria a razão para essa negação inconsciente de um fato consciente? Por qual motivo evitamos, inconscientemente, a certeza da morte?

Não poderia ser, talvez, pelo fato de que não tenhamos sido originalmente criados para a morte?

Por que o ser humano, que nasce para morrer, não aceita a morte, ou pelo menos tem enorme dificuldade para aceitá-la? Por que temos a necessidade imanente, intrínseca e inata da permanência?

E a razão pode ser que não nascemos, na verdade, para morrer; nascemos - ou fomos criados – para viver eternamente. Nosso inconsciente talvez saiba disso...
E se assim o é, havemos de ter a esperança natural do porvir, esperança que reside em Deus e que depende da redenção oferecida pelo Cristo, Jesus.
É certo que mesmo o mais crédulo dos crentes teme a morte; do mesmo modo que também é verdadeiro que o mais cético dos descrentes, ainda que viva com a consciência da morte - ou da extinção eterna, conforme a sua própria concepção – continua a viver e a alentar a possibilidade (inconscientemente) de um resultado menos banal para a vida. Senão como seria possível prosseguir com serenidade, como não sucumbir ao desespero e ao desamparo? , se a certeza inexorável residisse apenas, nas palavras do próprio Freud, em “os horrores da desintegração” ou no “congelar como um pingüim” ou ainda em “os terrores de eterno nada”.
O inconsciente, que provém da nossa natureza fundamental, sabe que não morreremos jamais (ou que ao menos é verdadeira essa possibilidade). De outro modo não seria razoável conceber que, da mesma maneira que naturalmente existimos, naturalmente também estaríamos fadados à extinção? Mas assim não o é! , pelo simples fato de que não nascemos absolutamente fadados à extinção. Nascemos, ao contrário, para viver eterna e plenamente, conforme um plano infalível e perfeito: o “Plano da Criação”.

Em sua obra clássica, “Milagres”, C. S. Lewis fala sobre a morte:

“A morte é o triunfo sobre Satanás e a punição da queda”.
“A morte é o último inimigo”.
“A morte é ‘ambivalente’. Trata-se da grande arma de Satanás e, ao mesmo tempo, da grande arma de Deus: trata-se da nossa desgraça suprema e da nossa única esperança; aquilo que Cristo veio conquistar e o meio pelo qual ele a conquistou.”
“Para que se opere o Grande Milagre (ou o Maior dos Milagres: a Ressurreição), a morte é necessária”.

Em uma de suas cartas ao pai, Lewis escreveria ainda:

“Eu vi a morte com razoável freqüência e nunca fui capaz de considerá-la algo extraordinário ou inacreditável. A pessoa real é tão real, tão obviamente viva e tão diferente do que restou que fica difícil acreditar que tudo isso pudesse ter se transformado em nada”.

“Ensina-nos a contar nossos dias,para que alcancemos coração sábio.” (Salmo 90:12) Interpretando o salmista, isto é o que ele diz: é sábio compreender que este (o mundo) não é o nosso lar...

Deus em Questão - O amor

categorias: , Literatura

 

O AMOR

O amor humano, quando levado aos seus extremos, tende a arrogar-se autoridade divina. Assim como o amor por uma mulher pode levar um homem a negligenciar a sua família, ou o amor a pátria pode conduzir a atrocidades inimagináveis, o amor à religião pode motivar – e tem motivado ao longo dos séculos – as pessoas a agirem mal.

Lewis diz que “se algum dia for escrito algum um livro que eu não hei de escrever, ele deverá ser a confissão da cristandade inteira acerca da contribuição específica da cristandade para a soma da crueldade e traição da humanidade... Nós gritamos o nome de Cristo e agimos a serviço de Moloque ”.

Mas, e quanto a este tipo de amor: “Amarás ao teu Deus de todo o teu coração e ao teu próximo como a ti mesmo”?

Não parece um mandamento pouco razoável, ainda que enunciado com tamanha solenidade? O mandamento não nos soaria retórico, sob a forma de palavras vazias, porquanto inexeqüíveis?

De fato, poucos são capazes de compreendê-lo, ou mesmo de aceitá-lo como válido, esse mandamento fundamental para o cristão.

Mas Lewis nos traz à luz para compreendê-lo na sua essência.

Inicialmente, ele explica que pode haver quatro tipos de amores:
Storge = afeição, assim como a familiar, seu melhor exemplo.
Philia = o sentimento de amizade, de afinidade, que une caminhantes da mesma jornada, pessoas com objetivos, opiniões, idéias e ideais semelhantes (a profunda amizade, cultivada com sinceridade e calcada no tempo, tende a converter-se em Storge).
Eros = o amor romântico e/ou sexual, que pode coexistir com as outras formas de amor.
Ágape = o amor perfeito de Deus e por Deus; o amor do mandamento.

Este, o mandamento que Freud reputava absurdo e dizia ser impossível cumprir, pois “nem todos os homens são dignos de amor”, ao contrário, muitos “têm mais direito à minha hostilidade, ou até mesmo ao meu ódio”. Dizia ainda que talvez entendesse tal mandamento se ele fosse “ama o teu próximo, como o teu próximo te ama”.

De fato, Ágape (o amor do mandamento) contradiz a natureza humana, violenta e agressiva por natureza, pois depende de uma natureza modificada: o “nascer de novo” espiritual preconizado pelas escrituras.
Lewis orienta que a chave para compreensão do mandamento é a expressão “como a mim mesmo”.
Não se trata de sentir afeição ou ternura (storge), ou de se ter afinidade (phylia) por todos e por qualquer um, da mesma forma que não possuímos exatamente sentimentos semelhantes por nós mesmos! O que sentimos por nós é um desejo de coisas boas, isto é, um desejo de que somente o que é bom e o que é bem estejam na nossa vida. “Não importa quanto eu possa desgostar da minha própria covardia e avareza (dos meus defeitos, em suma), continuo amando a mim mesmo (e desejando o bem para mim)”, escreve Lewis. Ágape é, portanto, um estado de vontade que temos para nós mesmos e que devemos aprender a ter para com os outros; é o desejo de fazer e querer o bem para todos e para qualquer um, do mesmo modo como queremos e fazemos para nós mesmos. Nesse tipo de amor – assim como no mandamento - não há mera poesia, ou falsa retórica, não são palavras vazias. Nele há atitude e postura: o exercício da verdadeira aceitação do outro com as suas imperfeições, a negação do nosso orgulho e das nossas vaidades, o suplantar da nossa natureza egoísta.
Mas se ainda assim o conceito do amor ao próximo nos pareça incoerente e ilusório, quando a consciência nos apresenta os outros como seres imortais - como de fato o são - tornar-se-ão, então, a coisa mais sagrada que possa ser apresentada aos nossos sentidos materiais. Dignos, portanto, do nosso amor incondicional.
Esta é a verdadeira e fundamental ética cristã!

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Deus em Questão - O sofrimento

categorias: , Literatura


O PROBLEMA DO SOFRIMENTO


Viver significa sofrer. A consciência da mortalidade causa dor e a necessidade de permanência provoca sofrimento. O medo da perda é penetrante; o sofrimento provocado pela perda é extremo.

Mas afinal, se Deus é bom e perfeito, por que há dor e sofrimento?

Segundo Lewis, o governo do universo está temporariamente nas mãos do inimigo, e esta seria a razão de todas as dores e de todos os sofrimentos.

Mas, ainda: se Deus é o criador de tudo o que há, teria ele também criado o sofrimento? Pois o sofrimento em si não é bom, a essência do sofrimento é o mal; logo, como poderia ele ter provido de Deus, que é bom e perfeito?

De fato, o sofrimento não é bom e não pode ter procedido de Deus, mas pode ser usado por Ele para os seus propósitos redentores. O sofredor, durante a sua dor, acaba por submeter-se à vontade de Deus; o expectador do sofrimento experimenta a compaixão e os atos de misericórdia que também o aproximam de Deus. O Bem simples (absoluto) provém de Deus; o Mal simples (absoluto) provém do Inimigo; Deus explora o mal para os seus propósitos redentores. O resultado dessa equação é o Bem complexo, para o qual contribuem o sofrimento aceito e o arrependimento.

E se Deus é perfeito e bom, quem teria, então, criado o Mal?

Deus nos criou todos – anjos e seres humanos – dotados de livre-arbítrio (o que é bom, pois de outro modo seríamos como robôs, ou como marionetes nas mãos de um títere todo-poderoso). O abuso desse mesmo livre-arbítrio gerou o Mal. E Deus permite o Mal, assim como permite a dor e o sofrimento (que são maus e males) por enquanto, neste Universo parcialmente redimido.

 
- Deus sussurra pelos prazeres e pelas belezas da vida; 
- Deus fala pela consciência de cada um; 
- Deus grita pelo sofrimento!

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"Deus em Questão"

categorias: , Literatura

Freud e C. S. Lewis debatem sobre amor, sexo e o sentido da vida.

De Armand Nicholi Jr.

A maior parte dos grandes pensadores ao longo da História da Humanidade não ficou alheia à questão crucial da fé. Durante o século XX - e após um conturbado século XIX, marcado por embates acalorados sobre a existência ou não de Deus - dois homens, de forma brilhante e cada qual à sua maneira, levantaram novos argumentos sobre essa questão. Em "Deus em Questão", o autor põe lado a lado os argumentos de C. S. Lewis e Sigmund Freud - favoráveis e contrários à existência de Deus -, muito embora provavelmente jamais tenham se encontrado de fato ao longo de suas vidas. Ambos consideram cuidadosamente a sua visão de mundo à luz de problemas como a dor e o sofrimento, o amor e o sexo, o sentido da vida e a inevitabilidade da morte. Ao leitor, após "assistir" ao debate magistral, cabe assumir o seu lugar ao lado de um ou de outro, conforme aquilo o que a consciência de cada um puder trazer à luz da sua razão - ou da suá fé...

“Esta elegante e convincente comparação entre a visão de mundo de Freud e a de C. S. Lewis é uma oportunidade de reflexão dialógica sobre as mais importantes questões que a humanidade sempre se fez: Deus existe? Ele se importa comigo? Este livro destina-se a todos que buscam, sinceramente, respostas sobre a verdade, o sentido da vida e a existência de Deus.” Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas em Genoma Humano, EUA

“Armand Nicholi acertou na mosca com essa história irresistível e tão bem contada sobre as duas âncoras – e o dilema – do pensamento moderno. A partir da vida desses dois verdadeiros gênios, podemos identificar o nosso próprio desejo e busca.” Ken Burns, diretor do premiado documentário The Civil War e do histórico Jazz, megassérie apresentada no Brasil pelo canal GNT

“Alguns livros são equilibrados, acadêmicos e objetivos. Outros são desafiadores e comoventes e prendem a nossa atenção. Quando um livro consegue reunir tudo isso, torna-se simplesmente inesquecível. Deus em Questão é assim. É tão empolgante quanto um romance, com uma diferença: nós escrevemos o final.” Peter Kreeft, PhD, professor de filosofia do Boston College, autor de “Buscar Sentido no Sofrimento” (Edições Loyola) e “O Diálogo” (Mundo Cristão)

“Assisti a algumas das aulas impressionantemente concorridas de Armand Nicholi em Harvard, que foram uma das experiências mais gratificantes da minha vida. Depois de vinte e cinco anos de ensino e pesquisa sobre Freud e Lewis, o autor coloca o resultado à disposição de todos. Este livro mudará a sua vida.” Dr. Timothy Johnson, editor da área médica do ABC News

“Deus em Questão é profundo e fascinante. Quem procura o verdadeiro significado da vida precisa ler este maravilhoso livro.” Ralph Larson, presidente e diretor executivo da Johnson & Johnson

(A seguir, nos próximos posts, faço algumas considerações sobre os temas abordados no livro.)

15.12.08

Gilmar Mendes no Roda Viva!

categorias: Atualidades

TV CULTURA, HOJE, 22H10M!

Prometia ser uma grande oportunidade de dar um arrocho no sr. Mendes... não fosse a equipe "chapa branca" escalada (por ele mesmo) para entrevistá-lo.

Veja os nomes: Eliane Cantanhêde (ela mesma!), Reinaldo Azevedo (figurinha carimbada), Carlos Marchi, do Estadão e Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico (possui ligações notórias com GM e DD).

Idelber Avelar (Biscoito fino...) sugere algumas perguntas que poderiam (mas não serão) ser feitas ao Exmo. Sr. Min. Confira no blog: 

http://www.idelberavelar.com/archives/2008/12/gilmar_mendes_entrevistado_na_tv_dantas.php